B12. Projetos de A a Z: Gestão de Estoque V

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Sumário

Neste módulo, vamos nos aprofundar em alguns conceitos de controle de estoque que são muito importantes para uma boa análise de estoque.

SKU

Ao começar a lidar com gerenciamento de estoque, muitos profissionais se perguntam: O que é SKU? Essa sigla significa Stock Keeping Unit e é um termo em inglês que pode ser traduzido como “unidade de manutenção de estoque”, e que veio para organizar seu inventário. Trata-se de um código único, dentro de cada empresa, que visa melhorar a gestão de estoque, liberação de mercadorias e a certeza nas especificações de um produto.

Manter a organização do estoque é fundamental para garantir bons resultados no varejo, e sabemos que essa tarefa não é fácil sem a ajuda de algum método que controle a entrada e saída de produtos, correto?

O SKU é um código que serve para te ajudar nesse processo. Funciona assim: cada produto do estoque tem um SKU particular, que é um código formado por letras e números. Ao gerenciar o cadastro e a retirada de produtos no seu estoque, ao invés de buscar pelo nome de cada produto, você procura pelo SKU.

Por exemplo, em vez de você cadastrar um “iPhone X cinza espacial 64gb” no seu estoque, você cadastra “CELIPXCE64”.

A principal ideia é a de que o SKU, se bem organizado, possa ser identificado de forma lógica, e não por um leitor de código de barras. Para fazer um SKU, é preciso ter em mente alguns fatores:

  • Ele precisa ser curto
  • Ele deve conter somente as informações essenciais
  • Preferencialmente, o SKU só deve conter números e letras
  • Dois produtos diferentes não podem ter o mesmo SKU
  • Cada tipo de operação deve ter SKUs diferentes

Partindo do princípio de que cada produto tem suas especificações no código, é possível identificá-lo através da padronização. Por exemplo, se você está vendendo um iPhone X cinza espacial, o SKU poderia ser:

  • CEL – de celular
  • IP – marca do aparelho
  • X – modelo do aparelho
  • CE – indicação da cor
  • 64 – capacidade de memória

Sendo assim, o SKU seria CELIPXCE64. Obviamente é apenas um exemplo, mas é importante ter uma padronização que seja fácil de identificar e localizar no estoque.

É importante lembrar que o SKU é diferente do EAN, apesar de ambos serem números usados para identificar produtos.

O EAN é um código de barras, criado na Europa pela GS1, composto por 13 dígitos, que é utilizado no mundo inteiro. Sua sigla significa European Article Number e se você pensa em exportar ou vender em marketplaces, será obrigatório cadastrar o EAN em seus produtos. Mas não sofra por antecedência, esses códigos são fixos e universais, gerados pelo fabricante.

Inventário

Inventário de estoque é uma listagem completa de todos os produtos armazenados no estoque de uma empresa. Esse inventário identifica, classifica e determina o valor de cada produto.

O inventário de estoque serve para certificar que o seu controle de estoque está de fato correto. Ou seja, se a sua empresa realmente possui o estoque que acredita possuir.

Dessa forma, caso sua indústria tenha comprado produtos e materiais em excesso ou caso tenham ocorrido extravios e perdas do estoque, o inventário verifica as informações e permite que sua equipe haja de forma eficaz para solucionar o problema.

Como fazer o inventário de estoque?

Passo 1: classificação de produtos

Para começar, sua indústria precisa definir classificações e então classificar todos os produtos e materiais no estoque. O ideal é usar grupos e conjuntos para otimizar a classificação do seu estoque.

Nessa etapa também é importante lembrar que o ideal é sua indústria possuir um sistema de código de barras ou SKUs para facilitar a identificação e listagem dos itens do estoque.

Passo 2: identificação da rotatividade do estoque

O próximo passo é definir qual a rotatividade do seu estoque ou o seu giro de estoque. Ou seja, é preciso saber quando um estoque é utilizado e precisa ser reposto em um período determinado.

Estipule um intervalo em que o seu estoque precisa ser reposto e assim sua equipe consegue trabalhar de forma muito mais assertiva. Desde a etapa de compras, produção e até as vendas.

Passo 3: definição da periodicidade do inventário de estoque

Agora que a rotatividade do seu estoque está identificada e estipulada, é preciso fazer o mesmo para o seu inventário de estoque. Ou seja, é preciso determinar de quanto em quanto tempo sua indústria irá fazer a contagem de produtos no estoque.

O objetivo é melhorar a confiabilidade das informações, aumentar a segurança do seu estoque e evitar declarações com erros para o fisco. Isso porque caso algum produto desapareça do seu estoque, você só precisará investigar até o período do último inventário. Além disso, sua indústria precisa enviar informações para o governo e um inventário confiável pode ajudar enormemente sua empresa.

Os três formatos mais comuns para essa periodicidade são: inventário de estoque rotativo, inventário de estoque periódico e inventário de estoque permanente.

  • Inventário de estoque rotativo: Nessa modalidade o estoque tem seus itens contados em intervalos de períodos pré-definidos, como por exemplo: diário, semanal, mensal, bimestral etc. Cada empresa determina qual o melhor intervalo para sua realidade e aplica o inventário de estoque no período.
  • Inventário de estoque periódico: Nessa modalidade de inventário de estoque, a empresa determina um período final para o inventário. O objetivo é atualizar o controle de estoque, corrigindo falhas e problemas, para assim gerar demonstrativos financeiros mais confiáveis e detalhados.
  • Inventário de estoque permanente: Existe também o chamado inventário de estoque permanente, onde a empresa faz o controle de forma automatizada. Cada movimentação de entrada ou saída do estoque gera uma atualização no status do produto. Esse tipo de inventário de estoque não requer um período determinado, já que ocorre continuamente.

Passo 4: definição detalhada de dias para o inventário de estoque

Além de determinar a periodicidade do inventário de estoque, é importante definir quais serão os dias e até horários em que o inventário será feito.

O objetivo é garantir que o inventário seja feito mesmo que haja excesso de demanda ou outros problemas, como feriados e troca de equipe.

Escolha dias e horários com pouco movimento e que tenham mais segurança para realizar o inventário de estoque com segurança.

Passo 5: checagem com confirmação

O ideal é conferir cada contagem com pelo menos dois colaboradores. Dessa forma se ambos chegarem ao mesmo número quer dizer que a contagem foi feita com sucesso.

Isso é importante para eliminar qualquer possibilidade de falha humana no processo do inventário.

Passo 6: verificação de dados com sistema de controle de estoque

Depois que concluir o seu inventário de estoque e possuir em mãos os dados dos seus produtos e materiais, cruze as informações com o seu sistema de controle de estoque.

Dessa forma você poderá identificar falhas no controle e manterá as informações de estoque atualizadas para sua equipe se planejar com segurança.

Ruptura de estoque

A ruptura de estoque nada mais é do que a falta de um determinado produto para a venda. Quando você vai ao supermercado, por exemplo, em busca de uma marca de refrigerante e não a encontra, está diante de um caso de ruptura.

Dentro do planejamento de reposição de estoque, a empresa precisa levar em consideração inúmeros aspectos e a intenção é assegurar que o consumidor jamais sinta falta de algo nas prateleiras.

Quando algum processo não é bem executado ou os números utilizados não refletem a realidade do mercado, o problema surge e traz consigo uma série de consequências negativas, desde a perda de vendas à insatisfação dos consumidores.

Para ajudar a mensurar a ruptura, existe um índice que aponta a porcentagem de produtos em falta em relação ao total de itens de uma loja, considerando o catálogo total de produtos. Por exemplo: se um varejo vende 10 marcas de água mineral de 500 ml e uma delas está sem estoque, a ruptura desse produto é de 10% (ou seja: (Itens que estão sem estoque / Total de produtos da loja) x 100). Calculado com base no mix de cada loja, o indicador não considera o histórico de vendas e é independente da demanda.

Giro de estoque

Giro de estoque é um parâmetro usado para verificar o desempenho de um estoque na empresa. Indica também a qualidade dos produtos armazenados e a quantidade vendida dentro de um período de tempo. Os dados servem ainda para avaliar a saúde financeira do negócio.

Os cálculos auxiliam na identificação do número de vezes por determinado período que ocorre o giro de mercadorias e o tempo médio que os itens ficam parados. O gestor pode avaliar o cenário e criar estratégias para diminuir o tempo entre o armazenamento da matéria-prima, a confecção e a entrega ao cliente final.

Para entender o giro de estoque, explicamos melhor sua fórmula. Para isso, você precisa conhecer seu estoque médio e o número total de vendas. Veja o exemplo:

  • Estoque médio: 500 unidades;
  • Vendas totais: 4.000 unidades ao ano;
  • Cálculo: 4.000/500 = 8 giros ao ano.

Quando a companhia vende variados produtos, o ideal é fazer o cálculo utilizando os valores de compra. Por exemplo:

  • Estoque*: R$ 5.000,00;
  • Volume de vendas ao ano* : R$ 25.000,00;
  • Cálculo: 25.000/5.000 = 5 giros por ano.

*Considerando o valor de compra do fornecedor (custo), não o de venda final (preço de venda).

Se o número obtido fosse inferior a 1 nos dois exemplos acima, isso indicaria que algumas mercadorias ainda estão no estoque. Há também um cálculo que pode auxiliá-lo a compreender o índice de giro de estoque. Acompanhe:

  • Número de dias no ano: 365;
  • Quantidade de giros: 5;
  • Cálculo: 365/5 = 73.

Logo, o tempo médio para reposição do estoque é de 73 dias.

Cobertura de estoque

Cobertura de estoque é um índice utilizado para medir o tempo que o estoque, em determinado período, consegue cobrir as demandas futuras, sem haver a necessidade de suprimento, ou seja, o tempo que o produto leva para sair do estoque.

A cobertura de estoque pode ser aplicada em qualquer vertente, independente do segmento ou tamanho de sua empresa. Ela é extremamente importante para uma gestão de estoque assertiva e sem perdas.

O cálculo para fazer a cobertura de estoque é simples, basta fazer uma relação entre saldo em estoque e média de vendas.

Cobertura = Estoque / Média de Vendas

Média de Vendas = Peças Vendidas / Número de dias

Vamos usar como exemplo o produto Cadeira, cujos dados podem ser conferidos a seguir.

Dados:

Produto: Cadeira
Período: 01/06/2016 até 30/06/2016 (30 dias)
Peças vendidas: 50
Estoque: 80 peças

Agora com os dados que temos, só precisamos calcular a média de vendas para chegarmos na cobertura de estoque.

Média de vendas = 50 / 30
Média de vendas = 1,6

Já temos a média de vendas, então podemos calcular a nossa cobertura de estoque.

Cobertura = 80 / 1,6
Cobertura = 50 dias

Por fim, calculamos a cobertura. Então sabemos que, se a nossa velocidade de vendas continuar a mesma, teremos 50 dias de cobertura de estoque de acordo com o nosso saldo em estoque atual.

Vídeos de apoio

Assista aos vídeos abaixo para reforçar o conteúdo e aprender alguns tópicos não mencionados no texto-base.


  • Vídeo #1


  • Vídeo #2


  • Vídeo #3


  • Vídeo #4


  • Vídeo #5


  • Vídeo #6