B1. Projetos de A a Z: Conceitos Básicos Contábeis I

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Sumário


Neste módulo, vamos introduzir alguns conceitos fundamentais da Contabilidade para podermos trabalhar com projetos que exigem este tipo de conhecimento.

Fluxo de Caixa

Nas operações do dia a dia de uma empresa, a organização financeira é fundamental. Por isso, vamos nos aprofundar agora numa importante ferramenta que ajuda a controlar e planejar as movimentações financeiras de uma empresa ou organização.

O que é Fluxo de Caixa?

É um instrumento básico de planejamento e controle financeiro, onde o empresário pode registrar suas entradas e saídas em caixa.

O objetivo dessa ferramenta é apurar o saldo disponível no momento e projetar o futuro, para que exista sempre capital de giro (veremos detalhes deste conceito mais pra frente) acessível tanto para o custeio da operação da empresa (folha de pagamento, impostos, fornecedores, entre outros) quanto para o investimentos em melhorias (reforma da fachada, por exemplo).

Estrutura

O fluxo de caixa pode variar de estrutura, dependendo do objetivo do utilizador. No entanto, podemos considerar uma estrutura geral que funciona para diversos casos. Por isso, iremos aprender agora alguns termos que fazem parte da estruturação do fluxo de caixa.


Modelo de Planilha de Fluxo de Caixa

  • Entradas/Recebimentos: Todos os recebimentos feitos no período. Vendas à vista em dinheiro, cheque, cartões; vendas a prazo, recebimento de duplicatas, entre outros.
  • Saídas/Pagamentos: Todos os pagamentos feitos no período. Compras à vista e a prazo, pagamentos de duplicatas, pagamento de despesas e outros pagamentos.
  • Previsão: Representa o que foi planejado para pagar ou receber naquele período.
  • Realizado: As reais entradas e saídas, que correspondem ao que de fato ocorreu de movimentação, independente se foi acima ou abaixo do estimado.
  • Saldo Inicial ou Saldo Anterior: Saldo referente ao período anterior ao atual. Por exemplo, se você estiver montando o fluxo de caixa de Dezembro, o saldo inicial/anterior será o saldo final de Novembro.
  • Saldo Operacional: É o saldo daquele período específico, sendo calculado como Entradas - Saídas.
  • Saldo Final É o saldo atual em caixa, após terminar de estruturar o fluxo do período vigente, sendo calculado como Saldo Inicial + Saldo Operacional.

Tipos de Fluxo de Caixa

É importante ter em mente que existem vários tipos de fluxo de caixa, cada um estruturado de acordo com o contexto e objetivo em que se encontra. Vamos ver os principais:

  • Operacional: Auxilia na gestão das entradas e saídas relacionadas à operação do seu negócio;
  • Direto: Considera as receitas e despesas em seus valores brutos, ou seja, sem os descontos devidos;
  • Indireto: Baseado na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), conceito que veremos mais à frente;
  • Projetado: É uma estimativa da condição financeira da empresa;
  • Livre: Contém o saldo positivo da empresa, após o pagamento de todas as suas obrigações;
  • Descontado: Propõe uma estimativa da situação financeira da empresa, considerando alguns descontos e os riscos para possíveis investidores.
  • Para investimentos: Analisa se aqueles realizados na empresa estão ou não trazendo retorno.

Análise do Fluxo de Caixa

O saldo negativo pode indicar diferenças entre os prazos de recebimentos e os de pagamentos. Nesse caso, planejar e organizar o capital de giro é fundamental. Para evitar problemas no fluxo de caixa é recomendável ter uma reserva de capital de giro.

Vejamos um exemplo para uma loja de roupas. O lojista compra a mercadoria no valor total de R$ 1.000,00 no dia 5 de janeiro. O pagamento ao fornecedor será em 30 dias, ou seja, no dia 5 de fevereiro.

A mercadoria foi vendida no dia 25 de janeiro, parcelada em duas vezes. A primeira parcela com 30 dias e a segunda com 60 dias.

Nesse caso, o fluxo financeiro ficaria assim:

ATIVIDADE COMPRA A MERCADORIA VENDE A MERCADORIA PAGA AO FORNECEDOR RECEBE PARCELA 1 RECEBE PARCELA 2
Data 05/01 25/01 05/02 25/02 25/03
Fluxo de caixa - - (1.000,00) +500,00 +500,00
Saldo do caixa - - (1.000,00) (500,00) 0,00

Observação: Os valores entre parênteses representam saídas ou saldos negativos.

Veja que, no exemplo acima, há um descasamento entre a data do pagamento da mercadoria ao fornecedor e o dia do recebimento da venda, gerando um saldo negativo de R$ 1.000,00 no dia 5 de fevereiro.

Fazendo o fluxo de caixa, o empresário poderá antecipar que essa situação irá ocorrer e se preparar para guardar dinheiro suficiente para fazer esse pagamento, mesmo não tendo ainda recebido do seu cliente.

Benefícios do Controle de Fluxo de Caixa

O fluxo de caixa é uma ferramenta essencial para qualquer empresa que deseja ter crescimento e acompanhar sua rotina financeira. Portanto, este instrumento não possui desvantagens para qualquer organização que passar a usá-lo, apenas benefícios. Dentre estes benefícios, podemos listar:

  • Ter uma visão financeira do presente e do futuro da empresa;
  • Antecipar algumas decisões importantes, como despesas, sem comprometer o lucro;
  • Planejar investimentos;
  • Organizar promoções para desencalhe de estoque;
  • Avaliar a necessidade de solicitar empréstimos ou negociar prazos com fornecedores e outras medidas;
  • Evitar ou minimizar a possibilidade de ocorrer dificuldades financeiras futuras.

Custos

Um conceito contábil muito importante e que também pode nos ajudar no entendimento do fluxo de caixa é o conceito de custo.

O que é custo?

No seu sentido mais geral, custo é o valor pago ao trabalho necessário para a produção de bens ou serviços.

Os custos podem ser visualizados em várias partes da contabilidade, mas quando se trata de fluxo de caixa, nós podemos agrupar as SAÍDAS do FC em dois tipos de custo, os quais veremos adiante.

Classificação

Podemos classificar os custos de uma empresa de duas formas diferentes:

  • Custos fixos: São todas as contas da empresa que possuem pouca ou nenhuma variação, como valor de aluguel e salário dos vendedores;
  • Custos variáveis: São aqueles que apresentam variação nos valores periodicamente. Correspondem a tudo o que é gasto para produzir ou comercializar o seu produto ou serviço, como impostos sobre mercadoria, comissão de vendedores e combustível.

Exemplos:

CUSTOS FIXOS   CUSTOS VARIÁVEIS
Manutenção periódica de equipamentos;
Folha de pagamento e mão de obra;
Serviços de segurança e limpeza;
Aluguel;
Vale-combustível, vale-refeição e outros benefícios;
Contas de energia elétrica, telefone e internet;
Seguros;
Custos de imóvel e estrutura;
Entre outros.
  Energia elétrica e água – caso sua produção dependa disso;
Horas extras pagas a funcionários;
Matéria prima;
Embalagens;
Custos com logística e entrega;
Comissão de vendas;
Taxas de remessa;
Entre outros.

Note que a energia elétrica aparece em ambas as classificações, porque ela pode ser fixa e/ou variável, dependendo da finalidade que ela tem na empresa. Quando um custo pode ser fixo e variável, chamamos ele de custo híbrido. Por exemplo, em uma indústria cuja produção gasta muita energia elétrica, seu custo aumentará se ela produzir mais. No entanto, uma parte da energia consumida por essa empresa – como, por exemplo, no seu setor administrativo – será um gasto constante e, portanto, um custo fixo.


Vídeos de apoio

Assista aos vídeos abaixo para reforçar o conteúdo e aprender alguns tópicos não mencionados no texto-base.


  • Vídeo #1


  • Vídeo #2

Observação: Iremos ver o conceito de Custo Unitário no próximo módulo.


Quiz

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